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A Biblioteca Nacional e seu ex-líbris

Atualizado: 10 de abr. de 2021

Hoje (29.10) para homenagear o Dia Nacional do Livro estou postando o Ex-líbris da Biblioteca Nacional, a aniversariante do dia.


O Ex-líbris foi confeccionado pelo artista Eliseu Visconti em 1903.

É de autoria da professora Ana Virgínia Pinheiro, bibliotecária da Fundação Biblioteca Nacional, a mais completa descrição do ex-libris da Biblioteca, na qual destaca a figura da mulher representada na obra de Visconti:


"O ex libris da BN, delineado em 1903, traz a alegoria da Biblioteca como uma Mulher que lê e escreve.

A Mulher-Biblioteca está de perfil, destacada à destra (à esquerda de quem olha), tem cabelos fartos e escuros (Força) presos num coque em forma de íris (símbolo da ligação entre os deuses e os homens), com mechas que escorregam pela testa (Memória), têmporas (Tempo) e nuca (Passado), e um longo pescoço (Equilíbrio). Ela olha para frente (Futuro), segurando delicadamente uma pena de ave (Escrita) com a mão direita, que parece tocar levemente uma pilha com dois livros encadernados e um pequeno documento em forma de rolo, desfraldado sobre eles (referência à evolução dos formatos do livro). Com a mão esquerda, a Mulher-Biblioteca folheia um livro (Leitura), aberto em páginas centrais e apoiado sobre um balcão. Ao fundo, há uma estante organizada com três prateleiras de livros encadernados, com lombadas nervuradas e em diferentes tamanhos; à sinistra, no alto, as armas nacionais em versão simplificada a partir do decreto Nº 4, de 1889 (as armas foram descritas e alteradas em 1968, 1971 e 1992). O frontão do balcão foi deixado vazio para nele ser anotado o número de chamada (localização) do livro a ser marcado. Sob o balcão, além do cortinado da saia da Mulher-Biblioteca, é possível visualizar uma quarta prateleira de livros. Quatro elementos escapam à margem do desenho: as armas da República, o coque da Mulher-Biblioteca, a ponta emplumada da pena, e os dados de identificação (nome do artista, local e data).

A imagem está centralizada pelo globo terrestre, encimado pelo nome da Biblioteca Nacional à época. O globo expõe o mapa da América do Sul, onde o Brasil é destacado por hachura; e tem leve inclinação, evidenciando a Antártida que no desenho tem textura ponteada. Na ocasião, a Antártida era objeto de várias expedições internacionais e o período foi posteriormente designado como “Idade Heroica” (do final do séc. XIX ao início da década de 1920). A mesma textura foi utilizada no mapa das Américas Central e do Norte, o que pode ser também uma referência histórica – talvez, ao tratado firmado naquele ano, embora malsucedido, para a construção do Canal do Panamá.

Tudo foi originalmente impresso em azul escuro, símbolo da escuridão tornada visível. O ex libris da BN, uma marca centenária, é utilizado, ainda hoje, em três tamanhos, que devem ser adequados aos tamanhos dos livros onde serão fixados.

Sem dúvida, um ex libris pode ser muito mais que a mais nobre das marcas de propriedade. Pode oferecer um testemunho cuja interpretação dependerá da capacidade do observador para ler seu discurso simbólico e contextualizá-lo na História, ou, apenas, achá-lo belo.

Essa multiplicidade de qualidades sublineares, encantadoras, extraordinárias, misteriosas que o ex libris da BN apresenta também não deixa dúvidas: a Biblioteca (toda, qualquer, pública, privada, de todos, para todos) só poderia ser uma MULHER!"


Vida longa e próspera Biblioteca Nacional! Parabéns!


Fonte: https://eliseuvisconti.com.br/obra/a803/

Imagem: Por Eliseu Visconti - Biblioteca Nacional - Brasil- RJ.

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