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Da idealização à impressão de um ex-líbris: minha experiência


Por Raphael Diego Greenhalgh*


Neste texto eu irei compartilhar com vocês os caminhos que segui para a produção do meu ex-líbris.

Antes de falar dos processos de criação e impressão, é importante esclarecer que este ex-líbris não é só meu, mas também da minha esposa, Mariana Giubertti Guedes Greenhalgh. Como nós dois somos bibliotecários, trabalhando ambos com acervos raros e especiais e com interesses de leitura similares, decidimos fazer um ex-líbris conjugal, pois não conseguiríamos definir na nossa biblioteca particular, quais exemplares seriam dela ou meus.

O primeiro passo que demos foi conseguir a arte que comporia nosso ex-líbris. Ela foi feita em arte digital, baseada em uma foto nossa, pelo artista Shaydon Tomaz da Silva, conhecido também apenas como Shay. No ano de 2020, eu conheci e conversei com o artista pelo Instagram e encomendei a arte para dar de presente no dia dos namorados daquele ano, para a Mari. O Shay perguntou se eu queria incluir algum elemento na arte e eu pedi para que colocasse câmeras e livros, duas paixões nossas.


Foto que serviu de base para arte digital do ex-líbris


Como o objetivo inicial não era fazer um ex-líbris, a Mari e eu incluímos posteriormente à imagem as palavras Ex libris (optamos pela grafia em latim) e Greenhalgh’s (nosso sobrenome), por meio de um aplicativo de celular para tratamento de imagens, o Snapseed. Como vivemos em uma pandemia, só agora em 2022 decidimos imprimi-lo para colocar em nossos livros.

Para tomar algumas decisões em relação à impressão dos ex-líbris, conversei bastante com a Mary Komatsu (Caçadora de Ex-líbris) e com o colecionador de ex-líbris Luiz Felipe Stelling. Mary por sua vez também conversou com o colecionador e artista Marcelo Calheiros, e todos eles me ajudaram muito a decidir por considerar questões de conservação dos materiais que seriam usados em meus exemplares físicos.

Nós decidimos por fazer dois tipos de impressão do nosso ex-líbris, a primeira em fine art, produzindo apenas alguns exemplares em uma impressão de maior qualidade, para usar nos livros que temos maior afeto (quem me deu essa ideia foi o Luiz Stelling). A segunda impressão foi a laser (compare as duas impressões abaixo). Portanto, imprimimos os itens em duas gráficas diferentes.

Esquerda – impressão laser Direita – impressão fine art


As duas impressões foram no tamanho de 7 x 5 cm. A impressão em fine art teve tiragem de 100 exemplares e foi realizada em papel Canson Matte de 200 g/m² fornecido pela própria gráfica, especializada em impressões fotográficas de alta qualidade. Na impressão a laser a tiragem foi de 1.600 exemplares, usando o papel Filipaper Classics Diplomata Acid Free 180 g/m², comprados por mim e levados à gráfica. Portanto, foram usados papéis livres de acidez nas duas impressões, característica essa que permite maior durabilidade aos ex-líbris e melhor conservação aos livros que eles terão contato.

Como é possível ver, a impressão fine art deixou as cores do ex-líbris mais vivas, como estava no arquivo digital, trazendo delicadeza à imagem. Contudo, é preciso refletir bastante se vale a pena esse tipo de “capricho”, pois o valor é bem maior que o outro modo de impressão. Na impressão fine art foram gastos R$ 137,00, enquanto na impressão a laser foram gastos R$ 250,00 na impressão e R$ 60,00 nos papéis, em dois pacotes de 50 folhas cada (imprimiu-se 16 exemplares em cada folha).

Como tivemos uma preocupação em imprimir em papel livre de acidez, pensamos que também era necessário usar uma cola de qualidade, com Ph neutro. Por isso, decidimos usar a cola adesiva PVA de Ph neutro, da marca Lineco, que custou R$ 167 por 236 ml. Tanto a cola, quanto o papel foram fáceis de encontrar online no Mercado Livre. Soma-se ao que já foi falado o valor da arte digital, que na época paguei R$ 50,00.

Detalhe do ex-líbris colado no livro


Espero que ter compartilhado esses detalhes sobre essa etapa de amor aos nossos livros possa lhes trazer ideias e ajuda-los a produzir os seus ex-líbris. Agora é mãos à obra!



*Raphael Diego Greenhalgh - Bibliotecário de Obras Raras da Biblioteca Central da Universidade de Brasília (UnB) desde 2008, com Doutorado em Ciência da Informação pela UnB, cuja tese foi agraciada com o Prêmio Capes de Tese, edição 2015. Possui também Pós-doutorado em Ciência da Informação pela Universidade Federal Fluminense (UFF), sobre censura a livros e à imprensa em Brasília durante a Ditadura Militar.

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