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Doação de livros para a Revolução Constitucionalista de 1932

Atualizado: 10 de abr. de 2021

O escritor e historiador Paulo Rezzutti citou na live da Caçadora de Exlibris sobre esse ex-líbris produzido especialmente para a campanha de doação de livros durante a Revolução Paulista de 1932. Leia a matéria que ele escreveu para o blog São Paulo Passado para conhecer mais essa linda história:

Durante a Revolução Paulista de 1932, o jornal “O Estado de São Paulo” lançou uma campanha inusitada para levantar fundos para os órfãos e viúvas da causa constitucionalista: leilões de livros através de suas páginas.

A campanha funcionava da seguinte maneira: Os doadores enviavam os livros para o jornal, pessoalmente, pelo correio, ou ainda, para os que moravam no interior, por meio do Comando Revolucionário de sua cidade.

Cada livro recebia um código numérico, e uma listagem das obras era publicada numa seção especial do jornal. Os interessados pelos títulos anotavam o código do livro desejado e mandavam os lances por carta, ou deixavam um bilhete na portaria do jornal. Arrematava a obra quem desse o maior valor. Não raro, os livros doados já seguiam com um lance inicial do próprio ofertante.

Examinando as ofertas, podemos ver um acervo bastante variado. O arroz de festa, ofertado em quase todos os leilões, era a coleção “Thesouro da Juventude”. Mas também foram leiloadas obras raras, como primeiras edições dos Padres Antonio Vieira e Manoel Bernardes, um “Os Sertões” autografado por Euclides da Cunha e obras raras francesas em primeira tiragem de Voltaire, Rousseau, Montesquieu, entre outros.

Algumas cartas que acompanhavam os livros eram assinadas por seus doadores, como os escritores Paulo Setúbal e Cassiano Ricardo, o Cônsul da Lituânia em São Paulo, “pelos jovens” e “pelas jovens” paulistas, cujos pais certamente ditaram os bilhetes de doação – escritas em corretíssimo português por mãos ainda não muito acostumadas a pegar em um lápis. Outras eram subscritas por: “Um Patriota”, “Paulista Consciente” e diversos outros pseudônimos.

O jornal contratou o pintor José Wasth Rodrigues para confeccionar o ex libris dessa campanha. Quem arrematasse uma das obras podia mandar uma carta para a redação, com um envelope já selado para resposta, informando qual livro havia adquirido. O responsável pelo setor enviava o ex libris correspondente dentro do envelope recebido.

Os ex libris foram confeccionados em três tamanhos: 5 cm X 9,4 cm, 7,4 cm X 12,5 cm e 11,4 cm X 19,4 cm, cada um relativo a um tamanho de livro: in-oitavo, in-quarto e in-fólio. Na margem superior, lê-se em letras pretas a frase: “LIVRO DOADO EM BENEFÍCIO / DOS ORPHAMS DA REVOLUÇÃO”. Na margem inferior, os dizeres: “POR INTERMÉDIO DO / O ESTADO DE S. PAULO / Nº…………..” No centro do ex libris, um retângulo amarelo tendo, desenhado em preto, um garoto de pé, vestido com uniforme de marinheiro, com um espadim de um lado da cintura e do outro um tambor, que segura com a mão direita um mastro feito com bambu. Amarrado na ponta do mastro, um pedaço de pano esvoaça por cima do menino; nele constam os seguintes dizeres: “SI FOR PRECISO / NÓS TAMBÉM / VAMOS!”. Na lateral esquerda do garoto, ainda dentro do campo amarelo, a inscrição: “EX- / LIBRIS”.


Confira a live "Minha coleção de ex-libris e sua histórias" com Paulo Rezzutti no canal da Caçadora de Exlibris. AQUI"


Fonte: Blog São Paulo Passado

Foto: Coleção Paulo Rezzutti

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