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Você sabe o que é matriz perdida?

Por André de Miranda


Uma das técnicas da gravura utilizada por alguns gravadores para confeccionar ex-libris, é a chamada técnica da Matriz Perdida.


É um processo criado e popularizado por Pablo Picasso (Espanha, 1881 – França, 1973) no final da década de 1950. Consiste em usar todas as cores que o artista quiser em uma única matriz e, como diz o nome, retirando linóleo ou madeira (xilo) de partes já impressas, mantendo as de cor que será superposta. Essa técnica pode ser aplicada também na xilogravura e noutros suportes alternativos.


Usamos para a primeira cor a matriz com apenas algumas luzes, por exemplo, o amarelo. Em seguida, cortamos a mesma matriz e a imprimimos em vermelho; voltamos a cortar e imprimimos finalmente o preto. O que sobrou da matriz ao final do trabalho, torna impossível reimprimir a seqüência de cores. A matriz estará perdida.


O número de cópias das primeiras cores deverá ser sempre maior que a tiragem final desejada, pois essas fases do processo tornam-se irrecuperáveis. As perdas durante a edição são grandes; por exemplo: por sujeira, por deslocamento da matriz do registro no momento de impressão, por falta de tinta na matriz, etc. Neste processo as cores usadas não deverão ser transparentes. Imprimir primeiro as cores claras e somente por último o preto. Deixar secar bem a primeira cor impressa para posteriormente fazer a 2ª cor (impressão).


Aqui tomaremos como exemplo uma linoleogravura de minha autoria feita nesta técnica.


Foram utilizadas três cores: amarelo, vermelho e preto.


Primeira Cor - Amarelo

Cortado apenas algumas luzes que serão os brancos até o final da obra.

Impressão em amarelo.


Segunda Cor - Vermelho


Nesta segunda etapa, um novo corte foi feito na matriz, retirado assim o que ficará impresso em amarelo usado na primeira impressão. O vermelho irá sobrepor o que ficou sem corte na matriz.


Terceira Cor - Preto

Nesta terceira e última etapa, foram cortados tudo que deveria ficar em vermelho na impressão anterior, e em seguida impressa na cor preta, cobrindo assim o que era amarelo e vermelho.


O que restou da matriz

Como podemos observar, somente restou o que foi impresso em preto, não permitindo mais a edição.



André de Miranda (Rio de Janeiro – RJ – Brasil – 1957)

Já realizou mais de 200 exposições entre individuais e coletivas e desde 1976 vem participando de Salões e Bienais de gravura no Brasil e no exterior. Estudou xilogravura com Ciro Fernandes, J. Borges e Anna Carolina Albernaz, gravura em metal com Heloisa Pires Ferreira e Marcelo Frazão, além de ter convivido em diversos ateliês de gravura, desenho e pintura no Rio de Janeiro, dentre eles: Frank Shaeffer e Augusto Rodrigues.

Suas obras se encontram em importantes acervos de museus e galerias da Suécia, França, Portugal, Espanha, Romênia, Polônia, Japão, Argentina e Brasil.

Frequentemente ministra palestras e cursos de xilogravura em diversas regiões do Brasil.

Recebeu inúmeros prêmios, destacando em 2003 o prêmio aquisitivo no 8º Salão Internacional de Gravura el Caliu - Olot - Girona, Espanha. Vive e trabalha no Rio de Janeiro.

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