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A Mulher- Biblioteca: Ex-líbris da Biblioteca Nacional


Para homenagear o dia de hoje em comemoração do dia da Mulher, em forma de ex-líbris. É o ex-líbris da Biblioteca Nacional que tem uma imagem feminina em destaque.


A bibliotecária Ana Virgínia Pinheiro descreve com detalhes essa alegoria da Biblioteca:


Ex-líbris da Biblioteca Nacional. Desenho de Eliseu Visconti, 1903.

A Mulher-Biblioteca está de perfil, destacada à destra (à esquerda de quem olha), tem cabelos fartos e escuros (Força) presos num coque em forma de íris (símbolo da ligação entre os deuses e os homens), com mechas que escorregam pela testa (Memória), têmporas (Tempo) e nuca (Passado), e um longo pescoço (Equilíbrio). Ela olha para frente (Futuro), segurando delicadamente uma pena de ave (Escrita) com a mão direita, que parece tocar levemente uma pilha com dois livros encadernados e um pequeno documento em forma de rolo, desfraldado sobre eles (referência à evolução dos formatos do livro). Com a mão esquerda, a Mulher-Biblioteca folheia um livro (Leitura), aberto em páginas centrais e apoiado sobre um balcão. Ao fundo, há uma estante organizada com três prateleiras de livros encadernados, com lombadas nervuradas e em diferentes tamanhos; à sinistra, no alto, as armas nacionais em versão simplificada a partir do decreto Nº 4, de 1889 (as armas foram descritas e alteradas em 1968, 1971 e 1992). O frontão do balcão foi deixado vazio para nele ser anotado o número de chamada (localização) do livro a ser marcado. Sob o balcão, além do cortinado da saia da Mulher-Biblioteca, é possível visualizar uma quarta prateleira de livros. Quatro elementos escapam à margem do desenho: as armas da República, o coque da Mulher-Biblioteca, a ponta emplumada da pena, e os dados de identificação (nome do artista, local e data). A imagem está centralizada pelo globo terrestre, encimado pelo nome da Biblioteca Nacional à época. O globo expõe o mapa da América do Sul, onde o Brasil é destacado por hachura; e tem leve inclinação, evidenciando a Antártida que no desenho tem textura ponteada. Na ocasião, a Antártida era objeto de várias expedições internacionais e o período foi posteriormente designado como “Idade Heroica” (do final do séc. XIX ao início da década de 1920). A mesma textura foi utilizada no mapa das Américas Central e do Norte, o que pode ser também uma referência histórica – talvez, ao tratado firmado naquele ano, embora malsucedido, para a construção do Canal do Panamá. Tudo foi originalmente impresso em azul escuro, símbolo da escuridão tornada visível. O ex libris da BN, uma marca centenária, é utilizado, ainda hoje, em três tamanhos, que devem ser adequados aos tamanhos dos livros onde serão fixados. Sem dúvida, um ex libris pode ser muito mais que a mais nobre das marcas de propriedade. Pode oferecer um testemunho cuja interpretação dependerá da capacidade do observador para ler seu discurso simbólico e contextualizá-lo na História, ou, apenas, achá-lo belo. Essa multiplicidade de qualidades sublineares, encantadoras, extraordinárias, misteriosas que o ex libris da BN apresenta também não deixa dúvidas: a Biblioteca (toda, qualquer, pública, privada, de todos, para todos) só poderia ser uma MULHER!


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